A cidade é nossa, uma sequela de A Escuta?

1/1 · Por HBO

David Simons retorna a Baltimore com: A cidade é nossa, a nova série de policiais e traficantes de drogas com o mesmo grande elenco de A Escuta

A cidade é nossa, a série do criador de A Escuta

Quem são os donos da cidade? Ela pertence a quem? Àqueles que detêm o poder, àqueles que possuem todos os meios viver uma vida privilegiada. Pertence também àqueles que são considerados pelos cidadãos como exemplos, como heróis. Pois é, pode ser, mas há também os donos da cidade que se movimentam nas sombras ou que fazem um jogo de máscaras: são amos no brilho, mas também na escuridão.

A cidade é nossa é uma minissérie com seis episódios sobre esses donos da cidade que ficam, justamente, na fronteira entre a figura do herói e a face oculta da luz. Deparamo-nos com uma história que, com toda crueza, vai de encontro à corrupção policial, sem deixar de ser complexa e profundamente humana. Não podíamos esperar menos: a história foi produzida por David Simon e George Pelecanos, os criadores de The Wire, uma das séries mais influentes dos últimos tempos.

Quatorze anos depois de The Wire, Simon e Pelecanos voltam à cidade de Baltimore e trazem outra magnífica história policial, dessa vez baseada em fatos reais bem específicos.

A cidade é nossa dramatiza a queda real da Força-Tarefa do Rastreamento de Armas do Departamento de Polícia de Baltimore, acusada de vender drogas requisitadas, de roubar dinheiro, e de extorquir e maltratar os cidadãos.

Vale citar um dos momentos marcantes daquele tempo: no dia primeiro de março de 2017, o sargento Wayne Jenkins e seis oficiais da unidade especial comandada por ele entraram no prédio dos Assuntos Internos da cidade de Baltimore (onde iriam fazer, aparentemente, um simples relatório sobre um carro privado com danos decorrentes de alguma perseguição), quando um comando especial do FBI os prendeu. Eles vinham sendo vigiados de perto fazia meses, e os agentes federais conseguiram reunir uma boa quantidade de provas para prendê-los e inculpá-los.

Naquela altura, Jenkins e sua equipe eram considerados os melhores policiais da cidade. Jenkins chegou a ser uma espécie de rockstar e era tido como um agente muito ético e honesto, profundamente engajado com seu trabalho. Jenkins e sua equipe, certamente, requisitavam drogas e armas a cada dia, era insólito, mas, por trás daquele sucesso, havia outras razões que iam além do dever: quanto mais requisições eles faziam, mais roubavam. Isto é, o comando ficava com uma parte daquilo requisitava, sobretudo dinheiro e drogas, que eram depois revendidas. A Força-Tarefa chegou a realizar uma quantidade despropositada de invasões ilegais (em muitos casos, em casas de traficantes, mas nem por isso o ato era menos ilegal), roubando a maior quantidade possível de dinheiro e drogas. Era uma espécie de esquema Ponzi de corrupção policial: quem invade fica com uma fatia importante e entrega ao departamento de polícia uma pequena porção. Ficam, assim, todos contentes, especialmente os políticos de sempre, que, simplesmente para ganhar popularidade e votos, fingem não saber de nada, inclusive quando os negócios sujos ficam mais do que evidentes.

Se em The Wire brilharam atores como Dominic West, Lance Reddick, Michael K. Williams, Idris Elba, Felicia Pearson (que acabou presa por tráfico de drogas), Michael B. Jordan e Sonja Sohn, dessa vez atuam, entre outros, Jon Bernthal, Wunmi Mosaku, Jamie Hector, Delaney Williams e Dagmara Dominczyk.

Jon Bernthal, que se destacou com The Punisher (2017-2019) e King Richard (2022), confere grande qualidade dramática a esse caleidoscópio de enredos inteligentes, ricos em diálogos extremamente hábeis.

O diretor é Reinaldo Marcus Green. Seu mais recente trabalho no cinema foi, justamente, King Richard, filme em que Bernthal participou com um papel memorável. King Richard —vale a pena lembrar— foi, de fato, o filme com que Will Smith venceu o Oscar como Melhor Ator... naquele mesmo dia em que caiu em desgraça devido ao célebre safanão.

A cidade é nossa, crimes e policiais corruptos, outra produção de altíssima qualidade, que você não pode perder. Assista já pela HBO.

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