Cafarnaum

4/2 · Por HBO · Leitura de2 min.

A HBO nos apresenta Cafarnaum (2018), o filme da diretora libanesa Nadine Labaki que teve uma excelente aceitação do público e da crítica e que recebeu nomeações ao Oscar e aos Globos de Ouro e que em Cannes ganhou o prêmio do Grande Júri e o do Júri Ecumênico.

Cafarnaum conta a história de Zain (interpretado por Zain Al Rafeea), um menino de doze anos que vive na periferia de Beirute, filho de pais impiedosos que o utilizam para cometer crimes e mendigar. A trama começa com Zain na prisão, condenado a cinco anos de prisão por esfaquear um homem, para em seguida retroceder alguns meses e contar os detalhes que o levaram aonde está hoje em dia.

O menino, por exemplo, comprava tramadol com receituários falsos (o tramadol é uma droga de prescrição médica que funciona como opiáceo), a triturava e dissolvia em roupas que em seguida eram vendidas e enviadas às prisões para que os prisioneiros se drogassem. Também o veremos cuidando da sua irmã Sahar (Haita 'Cedra' Izzam), de apenas onze anos, e saberemos a terrível angústia que Zain sofreu ao ver sua irmã sendo entregue pelos seus pais para um comerciante da região.

A história nos mostrará Zain como uma criança cercada pela tristeza de outras crianças, enfrentado a maldade dos adultos em um mundo onde parece que as crianças são objetos para os maus tratos, descartáveis e negociáveis.

Ali estão, uma criança todas as crianças. Crianças que são vendidas, que são trocadas, meninas de onze anos que assim que menstruam são negociadas em casamento, crianças de pais famintos que são vendidas e levadas em processos obscuros de adoção, crianças que cometem crimes sob as ordens das pessoas que supostamente deveriam protegê-las e amá-las. Crianças que sofrem, que vivem e morrem sem documentação, sem sequer saber a data de seu nascimento. Nadine Labaki contou que para escrever o roteiro entrevistou uma grande quantidade destes pequenos de rua.Ela perguntou a todos como se sentiam por ter nascido e eles responderam que preferiam não ter nascido, que se sentiam parasitas, insetos, que dava no mesmo existir ou não.

De fato, assim que Zain entra na prisão, fica sabendo que sua mãe está grávida de novo, e então ele decide fazer algo: deixar de ser um vazio, uma vítima sem voz e acionar legalmente seus pais por tê-lo trazido à vida e, não apenas isso, mas também exigir-lhes que não tenham mais filhos. Que deixem de ser irresponsáveis e de trazer ao mundo criaturas que só vêm para sofrer.

            Cafarnaum é um trabalho dirigido com delicadeza, alterna de modo justo entre a brutalidade e a poesia da imagem e dos momentos. O olhar da criança suaviza um mundo que, de outra maneira, poderia ser desprezível; no entanto, a diretora não deixa de nos levar às obscuridades, de destacá-las, de denunciá-las. A presença da criança também contribui com um olhar carregado de ternura e distanciado de qualquer pretensão ideológica que, contudo, traz uma convicção política fundamental: chega de jogar ao mundo crianças que só virão para passar maus bocados. É uma abordagem muito forte e, no entanto, ao ver esta joia de Nadine Labaki não podemos deixar de entender a crua e dolorosa visão da diretora.

            Cabe destacar que o pequeno Zain Al Rafeea era um jovem sírio refugiado que foi descoberto por Labaki nas ruas de Beirute. Não tinha nenhuma experiência como ator. No momento de fazer a filmagem não sabia ler nem escrever e, da mesma forma que seu personagem, tampouco tinha documentos de identidade.

            A palavra Cafarnaum, segundo explicou em uma entrevista a própria Labaki, é usada na língua francesa para designar que algo está mal, que é caótico, um desastre. Cafarnaum aparece na Bíblia como o lugar onde Jesus começou a transmitir seus ensinamentos, mas também o lugar de quem disse que iria o afundar no inferno por sua falta de amor e de fé.

Cafarnaum, uma joia do cinema como poucas, não perca, pela HBO e pela HBO GO.

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