Vida Selvagem

13/2 · Por HBO · Leitura de3 min.

A HBO nos traz Vida Selvagem, o primeiro e sólido filme do ator Paul Dano, um drama chocante protagonizado por Carey Mulligan, Jake Gyllenhaal e Ed Oxenbould.

“No outono de 1960, quando eu tinha dezesseis anos e meu pai enfrentava uma crise e desempregado, minha mãe conheceu um homem chamado Warren Miller e se apaixonou por ele”.

Assim começa o romance de Richard Ford que inspirou Vida Selvagem (2018), o primeiro filme de Paul Dano. Ali, na frase que dá início, temos uma época: os anos sessenta e uma família pequena: um pai, uma mãe e um filho. Uma família com uma vida como a que se esperava, e se espera, de uma família normal nos Estados Unidos.

O pai, Jerry (Jake Gyllenhaal), é funcionário de um clube de golfe e, mesmo que pareça não ganhar muito, é o suficiente para sustentar a família. A mãe, Jeanette (Carey Mulligan) se dedicou a ser dona de casa, e assim vão levando, sem grandes luxos, mas em paz. Ali, sob os cuidados do casal, se encontra Joe (Ed Oxenbould), um adolescente sério, mas de grande caráter. A partir dele, como propõe Ford no romance homônimo, observaremos a história. A partir dele, sentiremos a beleza e a dor de Vida Selvagem.

Certo dia, Joe saberá que seu pai foi despedido e o verá deprimido e distante de seus entes queridos, sem saber muito bem o que fazer. Também verá sua mãe, Jeanette, começar a dar aulas de natação, tentando ganhar algum dinheiro, o único possível para a família naquele momento. Então acontece algo inesperado: os bosques começam a pegar fogo e o pai de Joe parece receber uma revelação, um retorno à razão de estar vivo. Sem mais, se oferece como voluntário para o duro ofício de apagar os incêndios, com um pagamento mínimo, porém motivado por uma obsessão que o mantém de pé. Distante, tudo isto distante de casa, no que parece ser uma separação matrimonial, disfarçada, mas evidente.

Jeanette começará a sair à noite. Joe presenciará as mudanças nas suas roupas, suas chegadas tardes e suas bebedeiras. Sem dúvida, ela também entrará em crise e começará a procurar um sentido para a vida. Em algum momento, irremediavelmente, chegará o amor na figura de outro homem.

E Joe, claro, estará ali, não como simples testemunha do fracasso do casamento dos seus pais, senão como sendo parte do seu desmoronamento.

Wildlife

Paul Dano, jovem e reconhecido ator de talento, se arrisca e é bem sucedido em sua primeira entrega. Desde a atuação, vem demonstrando que tem talento para os assuntos sérios. Em Pequena Miss Sunshine (2006) de Jonathan Dayton e Valerie Faris, foi um adolescente irascível que jurou manter silêncio até cumprir seu sonho de se tornar um piloto de provas. Em Sangue Negro (2007), de Paul Thomas Anderson, interpretou um pregador obsessivo, avarento e vingativo. Em Os Suspeitos (2013), de Denis Villeneuve, encarnou um personagem quebrado e escuro que passou por assassino de crianças. Dano, como se vê, não trabalhou com qualquer um. Além disso, justo agora se meteu de cabeça na filmagem de The Batman, que estreará em 2021, onde fará nada mais, nada menos que o Charada.

Este, seu primeiro trabalho por trás das câmeras, tem muito de obra teatral, muito de diálogos poderosos e confrontados, ainda que também conte com excelentes momentos de imagens poéticas. As atuações, pela natureza do filme, são extremamente importantes.

Jake Gyllenhaal contribui com força e fragilidade ao seu personagem quando chega sua vez, mas são Oxenbould e Mulligan que carregam o maior peso dramático e de atuação.

Gyllenhaal, o mais conhecido dos três, tem um amplo trajeto na busca no crescimento como ator de filmes diferentes. É lembrado pelo estranhíssimo e fabuloso filme Donnie Darko (2001) de Richard Kelly, e mais recentemente por seu papel do enigmático detetive de Os Suspeitos e por sua magnífica dupla atuação do escritor atormentado e esposo/personagem que perde sua mulher e sua filha em Animas Noturnos (2016) de Tom Ford. Certamente, Gyllenhaal também interpretou um duplo papel em outra joia de Villeneuve, O Homem Duplicado (2013), baseada em uma novela de Saramago.

A britânica Carey Mulligan também vem desenvolvendo uma carreira de papéis intensos e inteligentes. Em 2010 foi nomeada ao Oscar de Melhor atriz coadjuvante por seu papel em Educação (2009), e trabalhou com diretores interessantes, como o particular Nicolas Winding Refn em Drive (2011) e com Steve McQueen no controverso Shame (2011).

O jovem Ed Oxenbould esteve sob a batuta de M. Night Shyamalan em A Visita (2015), um filme com muita exigência de interpretação, apesar de sua idade. Também nesta oportunidade, liderado por Dano, mostrou que tem potencial por muito tempo.

Vida Selvagem é uma história simples, mas chocante e magnificamente interpretada que nos apresenta vários temas difíceis, como a busca do sentido da vida, o papel da mulher na sociedade e o drama dos casamentos em crise e seu efeito sobre os filhos. Sem dúvida, um excelente primeiro passo de Paul Dano no campo da direção.

Vida Selvagem, aproveite pela HBO Mundi e HBO GO.

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