Yusuf Hawkins: Uma história de violência racial

17/2 · Por HBO · Leitura de3 min.

Yusuf Hawkins e o racismo sistêmico nos Estados Unidos

Yusuf Hawkins: Storm Over Brooklyn and the systemic racism in the United States.

Aos 16 anos, Yusuf Hawkins era como qualquer outro adolescente nos Estados Unidos do final dos anos 80. Sua vida girava em torno de amigos, escola e família. Ele tinha esperanças e aspirações, embora vivesse em um mundo que as reprimiria por conta da cor de sua pele. No entanto, estava claro para a família de Yusuf que ele estava destinado à grandeza. O fim abrupto e injusto de sua vida causou uma comoção nacional que a HBO documenta trinta anos depois no documentário Yusuf Hawkins: Tempestade Sobre o Brooklyn.

Três décadas se passaram desde o assassinato a sangue frio de Yusuf, mas o contexto social atual ainda é bem parecido. O racismo continua a afetar a vida de milhares de pessoas e os movimentos sociais para combatê-lo continuam tão fortes e importantes quanto em 1989.

O novo documentário da HBO relata em detalhes os eventos da noite de 23 de agosto de 1989. Conta com aparições de figuras históricas dos direitos civis como Al Sharpton, e com entrevistas aos amigos e familiares de Yusuf, assim como figuras jurídicas associadas ao caso. Todos ajudam a contextualizar e analisar o caso, inclusive através de um olhar contemporâneo, em especial em relação ao movimento Black Lives Matter, que repercutiu pelo mundo.

Muta'Ali Muhammad, um cineasta do estado de Nova Iorque, comanda o longa. Seu documentário Life's Essentials with Ruby Dee, com participações de figuras como Spike Lee e Harry Belafonte, se tornou o sétimo documentário afro-americano mais financiado do Kickstarter.com. Em Yusuf Hawkins: Tempestade Sobre o Brooklyn, ele utiliza filmagens e fotos de arquivo, depoimentos de testemunhas, cenas de noticiários, além de entrevistas com pessoas próximas a Yusuf: Diane (sua mãe), Freddy e Amir (seus irmãos), Darlene e Felicia Brown (suas primas) e Christopher Graham, Luther Sylvester e Russel Gibbons. Inclusive, Luther e Russel estiveram com Yusuf durante o ataque.

O documentário também inclui entrevistas com o advogado de defesa Stephen Murphy, Joseph Fama (que foi condenado pelo crime), o assistente da promotoria Douglas Nadjari, a ativista Dra. Lenora Fulani e o ex-prefeito David Dinkins. 

Para Yusuf e três de seus amigos, a noite de 23 de agosto de 1989 prometia ser tranquila. Um dos jovens estava interessado em comprar um carro Pontiac 1982 usado e por isso os amigos partiram para Bensonhurst, bairro predominantemente ítalo-americano no Brooklyn. 

Boatos de que jovens negros estavam namorando garotas da vizinhança circulavam no bairro e quando Yusuf e seus amigos saíram da estação de metrô, foram cercados por homens carregando tacos de beisebol. Durante o ataque, Yusuf foi morto com um tiro. Em questão de segundos, o jovem se tornou mais um número nas estatísticas da crescente violência racial no Brooklyn. Os eventos que sucederam seu assassinato, tornaram Yusuf um símbolo importante dos problemas raciais que assombram os Estados Unidos desde sua fundação.

 

A família Hawkins ficou chocada quando a polícia pediu que ficassem em silêncio para evitar distúrbios civis. Foi somente quando o reverendo Al Sharpton, ativista de direitos civis, se tornou o porta-voz da família que a imprensa e o país tomaram conhecimento dos detalhes angustiantes que cercaram a morte de Yusuf. Sua morte não foi um assassinato comum; foi um ataque violento com motivações racistas.

O reverendo Sharpton participou da organização de uma série de marchas em Bensonhurst. O documentário dedica tempo para mostrar a reação dos moradores locais aos protestos contra o assassinato de Yusuf. Ativistas, manifestantes e a família de Yusuf foram recebidos com fortes e raivosas críticas racistas. As marchas por justiça atingiram o ponto de ebulição quando o reverendo Sharpton foi esfaqueado durante um protesto em janeiro de 1991.

Apesar de um grupo de jovens ter sido preso devido ao assassinato de Yusuf, o suposto atirador, Joseph Fama, permaneceu em liberdade antes de finalmente se entregar. Os protestos não foram em vão, pois a morte de Yusuf e a pressão de sua família e da comunidade tiveram ramificações políticas que contribuíram para a destituição do então prefeito de Nova Iorque Ed Koch em favor de David Dinkins, o primeiro e único prefeito negro da cidade.

Yusuf Hawkins: Tempestade Sobre o Brooklyn é angustiante e emocionante; um resgate do legado de 30 anos do assassinato de Yusuf que permite ao telespectador contemporâneo, por meio da análise e da lembrança de quem viveu esses eventos, colocar em perspectiva os atuais movimentos por justiça social e racial. Em 2021, a cor de pele ainda pode ser uma sentença de morte para algumas pessoas.

O filme, selecionado entre mais de 300 inscrições, é o projeto vencedor da Feature Documentary Initiative, criada pelo American Black Film Festival (ABFF) e da produtora vencedora do Oscar Lightbox, como parte de uma parceria para promover a diversidade na produção de documentários. Há até hoje um mural no Brooklyn em homenagem a Yusuf Hawkins, um símbolo de como a sua comunidade, amigos, familiares, cidade e país sempre se lembrarão dele. Sua perda, embora trágica, não terá sido em vão e sua memória viverá para sempre.

Impactante, comovente e angustiantemente relevante nos dias atuais, Yusuf Hawkins: Tempestade Sobre o Brooklyn agora na HBO e na HBO GO

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