Gentleman Jack, a vida ousada de Anne Lister

5/4 · Por HBO · Leitura de5 min.

A HBO estreia em abril, Gentleman Jack, uma série que nos leva ao século XIX, seguindo os passos de uma mulher que tem sido chamada de precursora do lesbianismo moderno.

Jack entende de negócios, usa cartolas muito elegantes, já viajou muito e fez montanhismo; também joga cartas, fuma, duela e gosta de mulheres bonitas. Mas Jack na verdade não se chama Jack, nem sequer é um homem. Jack é uma mulher e o seu nome é Anne, Miss Anne Lister, embora também em seu condado a chamam de Jack, Cavalheiro Jack.

 A HBO estreia em abril, Gentleman Jack, uma série que nos leva ao século XIX, seguindo os passos de uma mulher que tem sido chamada de precursora do lesbianismo moderno. Nesta série de oito capítulos vamos encontrar Anne Lister (Suranne Jones), proprietária das terras de Shibdhen Hall, que, apenas em 1832, começou a inauguração da antiga casa em West Yorkshire, Inglaterra, que os Lister ocuparam durante trezentos anos.

 A partir de então, Anne começa a frequentar a cidade vestida de homem, com sua bengala, passo forte e determinado. Mas isso não é tudo: a dama também assumiu o controle dos negócios herdados, o que faz com que alguns cavalheiros não tão gentis, arranjem encrenca com ela. Eles acham que, só porque ela é uma mulher, é incapaz de gerenciar as minas, pedreiras e ações da indústria ferroviária e de canais que ela agora possui. Mas ela vai mostrar do que é feita e, como se não bastasse, também vai procurar um amor: uma linda garota da alta sociedade. Neste caso, uma jovem senhorita chamada Ann Walker (Sophie Rundle), com quem inclusive ela vai considerar se casar, porque para ela não há contradição entre o cristianismo e sua sexualidade.

Esta não é a primeira vez que trabalhos audiovisuais são feitos sobre Anne Lister. Em 2010, a BBC apresentou o longa-metragem The Secret Diaries, de Miss Anne Lister, dirigido por James Kent, e estrelado por Maxine Peake. Neste filme, como o título indica, o tema dos diários é fundamental.

Estes foram escondidos por anos até que um dos descendentes de Anne, John Lister, os achou. Em mais de quatro milhões de palavras - sim, quatro milhões de palavras - Anne Lister registrou sua vida social e econômica em detalhes, o que é um registro histórico inestimável. Mas também uma boa parte desses diários foi escrita em um código que mais tarde foi conhecido como uma engenhosa combinação da língua grega e da álgebra. Diz-se que John Lister dedicou-se a decifrar essa figura enigmática, mas desistiu de continuar ao descobrir escandalizado que ali Anne narrava seu amor e sua vida erótica com outras mulheres. Os diários voltaram à obscuridade, e assim, entraram no século XX, quando o Shibden Hall foi convertido em museu, eles apareceram mais uma vez. Novas partes foram traduzidas e finalmente vieram à luz. Já em 2010 e como já foi visto, a BBC realiza esse longa-metragem que é composto pelas informações contidas em tais páginas. Nesse mesmo ano estreou também um documentário intitulado The Real Anne Lister, em que a apresentadora, comediante e atriz Sue Parker serve de guia. O documentário foi levado a altos acadêmicos e visitou os locais onde Lister esteve, fazendo uma reconstrução muito concisa do momento histórico e do perfil singular da dama.

Agora a HBO nos traz esta série muito bem elaborada sobre os anos em que Anne Lister retornou para a casa de sua família e se dedicou a defender seu livre arbítrio e insistiu em se casar com Ann Walker. Lembremos, com este último, que Lister viveu em pleno reinado da rainha Vitória, ou seja, na era vitoriana, um período considerado de estrito rigor, mas também levou a grandes mudanças para a Inglaterra, que passou de um país agrário para uma grande potência industrial. Anne Lister esteve lá, não só para ser uma parte ativa de tais mudanças econômicas e políticas, mas também para impulsionar as mudanças morais e culturais, que eram, sem dúvida, muito mais espinhosas.

A HBO, com Gentleman Jack, dá um passo adiante no propósito de espalhar a história de uma figura fundamental na luta pela igualdade de gênero, que, além disso, como já visto, foi apresentada como filme e agora também como série.

 O roteiro, neste caso, é de responsabilidade de Sally Wainwright, roteirista, atriz e diretora, conhecida pela série da BBC Last Tango in Halifax (2012-2016) e pela minissérie Unforgiven, que rendeu a ela em 2009 o Prêmio de Roteirista do Ano da Royal Television Society.

 Wainwright, original de Yorkshire, queria trabalhar a história de Anne Lister há uns vinte anos; agora finalmente consegue das mãos da BBC e da HBO, já que a estreia foi anunciada simultaneamente em ambos os canais. A roteirista e diretora compartilha créditos por trás das câmeras com Sarah Harding e Jennifer Perrott. Harding é uma famosa atriz, diretora e cantora britânica líder da banda pop Girls Aloud. Dirigiu episódios das séries Queer as Folk (1999), Poirot (2005), Agatha Christie's Marple (2013) e Vikings (2016), entre muitos outros. Jennifer Perrott é uma australiana que desenvolveu parte de sua carreira na Inglaterra, recebeu prêmios por seus curtas-metragens e dirigiu episódios da nova fase feminina da famosa série Doctor Who (2018).

 O papel de Anne Lister é interpretado por Suranne Jones, atriz e produtora britânica que também fez uma enorme quantidade de séries, incluindo Unforgiven, de mãos dadas com sua roteirista já mencionada Sally Wainwright.

Em julho de 2018, a memória de Anne Lister foi homenageada com uma placa com as cores do arco-íris em uma das paredes da Igreja da Santíssima Trindade em Goodramgate, York. A placa a homenageia como uma gender-nonconforming entrepreneur, uma precursora não-conforme com o gênero.

 Gentleman Jack, uma magnífica série sobre a impressionante Anne Lister, estreia em 26 de abril na HBO e na HBO GO.

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