Santos Dumont, o motor e o ar

15/11 · Por HBO · Leitura de3 min.

Agora na HBO a minissérie original Santos Dumont, a vida deste grande brasileiro precursor do avião que soube misturar com sua engenhosidade o motor e o ar.

            E é que o destino dos homens criativos é marcado por uma série de acontecimentos ou aprendizados que acabam se juntando em algum momento para produzir ideias que mudam a maneira de olhar a realidade.

No final do século XIX, o jovem Alberto Santos Dumont já conduzia as locomotivas que eram do seu pai, Henrique Dumont, na enorme propriedade cafeeira conhecida como Fazenda Arindeúva. Estava fascinado com a mecânica dos motores; como seu pai, gostava de engenharia e se envolvia profundamente com a manutenção das máquinas de produção de café e das locomotivas que eram usadas para levar as cargas cafeeiras fora da fazenda.

Porém, o jovem Alberto também havia visto outras coisas que lhe haviam chamado a atenção: o voo dos pássaros e os balões coloridos de seda que eram soltos durante as festas juninas (juninas pelo mês de junho, momento do solstício de inverno no hemisfério sul). Dentro daquele menino que também lia Júlio Verne, começavam a se misturar o céu e a terra, o voo e a engenharia, os sonhos e a realidade. 

            Sua família tinha recursos e seu pai logo lhe entregou parte de sua fortuna. Alberto, já um homem jovem, foi estudar em Paris. Lá aqueles elementos que ele encontrou desde a sua infância acabariam por se fundir nele e ele se tornaria um inventor. Mas não um inventor de tudo. Alberto Santos Dumont se dedicaria a projetar aparelhos que partiriam do globo (que naquela época ainda não podia ser tratado adequadamente), os motores de combustão, passando pelos dirigíveis até chegar ao avião, que foi chamado de 14-bis.

Deu-lhe este nome porque a cada novo invento, Santos Dumont o chamava de Número X, ou seja, Número 1, Número 2, Número 3 e assim por diante. O Número 14 foi um dirigível com motor e Santos Dumont o utilizou para realizar as primeiras tentativas de voo com seu primeiro avião, o 14-bis, que inicialmente decolava acoplado ao dirigível e que depois, nas provas finais, alçava voo por seus próprios meios graças ao motor que havia sido incorporado.

            Ainda há uma discussão hoje em dia sobre o primeiro voo sustentado de um avião. Lá os principais oponentes são os famosos irmãos Wright e Santos Dumont. A discussão é longa e complexa, mas entre as principais razões para descartar os Wright é que eles usaram trilhos e catapultas nas provas de decolagem e que nestas provas, em geral, não havia testemunhas ou havia muito poucas (pois os Wrights, dizem, eram muito ciumentos do seu trabalho).

Entretanto, o 14-bis decolou em 1905 por seus próprios meios, mas também se alega que em 1903 os Wright já haviam conseguido decolagens sem catapulta. Além disso, os partidários dos Wright argumentam que o avião de Santos Dumont não podia virar enquanto o dos Wright podia. O giro do artefato, cabe destacar, era um dos critérios da Federação Aeronáutica Internacional (FAI) para aceitar que a nave fosse o primeiro avião do mundo. Do mesmo modo, entre estes requisitos, o artefato deveria decolar por seus próprios meios, coisa que aparentemente e, tal como já foi dito, não ocorreu com os Wright.

            Para além do debate sobre o primeiro, o importante é que Alberto Santos Dumont foi um líder, um pioneiro da aviação no mundo e, sobretudo, na Europa; um homem de vital importância para a história moderna.

            A partir de novembro, aproveite na HBO e HBO GO, a minissérie Santos Dumont.

Ambientada entre França e Brasil no final do século XIX e começo do século XX, esta coprodução da Pindorama (famosa por ter produzido Fonte da Juventude, o documentário de 2017 sobre os maus hábitos alimentares no Brasil), nos apresenta em seis capítulos de uma hora um maravilhoso passeio pela vida de Alberto Santos Dumont, com toda sua paixão pelo voo e pelos motores desde sua infância, passando pelos anos de Paris e pelos inimigos que conquistou por se atrever a sonhar com as alturas sendo um estrangeiro, um brasileiro

A direção é compartilhada de maneira simultânea por Fernando Acquarone e Estevão Ciavatta, ambos sócios fundadores da Pindorama. Acquarone é produtor, diretor e editor. Estevão, além de dirigir, também é roteirista (neste caso, não de Santos Dumont) e produtor, e trabalhou em programas de televisão brasileiros excelentes.

Santos Dumont, agora na HBO e HBO GO.

           

           

      

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